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A lista de livros para ler este ano

Quinta-feira, 04.02.16

 

Já tinha saudades de visitar a secção de livros da Fnac do Chiado. Passar pelos destaques, a literatura estrangeira traduzida, os livros de viagens, a divulgação científica, a pedagogia e a psicologia. Esta é a minha selecção à partida.

 

A minha técnica para escolher um livro é sempre a mesma. Leio a contra-capa, o tema essencial, abro-o depois a meio, leio algumas frases, se me prende a atenção e a curiosodade vou ver o autor, país de origem, idade. Volto a abrir o livro ao acaso. E é nessa altura que decido se vai para a lista ou não.

 

Os autores conhecidos são velhos amigos que gosto de visitar, desta vez são Dickens ("O amigo comum"), Oscar Wilde ("Obras completas, I e II"), Faulkner ("Sartoris") e J. G. Ballard ("O arranha-céus"). 

 

Finalmente e se ainda houver tempo, reler de outros velhos amigos, "Guerra e Paz" (Tolstoi), "As neves de Kilimanjaro" (Hemingway) e "A um Deus desconhecido" (Steinbeck).

 

 

A lista foi-se assim compondo a partir dos autores que ainda não conheço:

 

- "Danúbio" de Claudio Magris - Quetzal

- "Stoner" de John Williams - D. Quixote 

- "J" de Howard Jacobson - Bertrand

- "As obras-primas de T. S. Spivet" de Leif Larsen - Editorial Presença

- "A era do deslumbramento" de Richard Holmes - Gradiva 

- "Pensar com clareza" de Rolf Dobelli - Temas e Debates 

- "Educar para o futuro" de Paul Tough - Clube do Livro

 

 

 

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 20:54

Para cada escritor o seu leitor ou vice-versa

Quarta-feira, 11.08.10

 

Ora aqui está um tema que me fascina! Escritores e leitores, leitores e escritores. Primeiro, porque estão tão mal definidos... Depois, porque trazem tantos equívocos e preconceitos atrás...


Bem, vamos começar do princípio:

- li este post do John (João Campos), A polémica do calhamaço, no Delito de Opinião (parece que a polémica é blogosférica e o calhamaço um Bolaño, 2666);

- fixei aquelas frases sábias, "... Os gostos dos leitores são tão diversos que me parece bastante problemático catalogá-los de forma tão simples. ...; ... Uma vez mais, creio que cada um continua a ler o que quer, dentro das suas possibilidades. ...; ...incomoda-me também a contínua 'marginalização' (passe a expressão) de alguns géneros literários que no nosso pequeno mundo literário contam muito pouco - ou nada." (Aqui, o John refere-se à fantasia e à ficção científica);

- lembrei-me das magníficas análises literárias do John, no Jardim de Micróbios, e das suas sugestões de leituras, que registei aqui.

 

Como definiria "escritores" e "leitores"? Para já, não gosto do termo "escritor", escrever todos escrevemos. O que distingue quem simplesmente escreve, regista qualquer coisa num papel ou num écran, de alguém que comunica ideias, teorias, ficção, etc.? Percebem o que quero dizer? Por isso prefiro o termo autor, mesmo que não se trate só de ficção, pode ser um ensaio, um trabalho científico.

E "leitor"? O que simplesmente lê? Como se decifrar uma linguagem codificada fosse suficiente para definir uma relação com o texto!? É que nunca vi o leitor de livros como um receptor passivo de uma qualquer informação. Há uma interacção, a meu ver.

 

O post do John também me despertou para a polémica, não sobre o calhamaço (já o disse aqui ou noutro lugar que, em princípio e por princípio, não gosto de calhamaços, a não ser que me consigam resumi-los ou transformá-los em filme ou documentário. Assim, em 2ª mão, talvez...). De calhamaços, assim que me lembre, só li dois ou três. E agora ando com a História de Portugal do Rui Ramos atrás.

Voltando ao post do John, estou em sintonia com a sua opinião sobre essa relação imprevisível e inexplicável escritores-leitores. Só acho que pode haver, realmente uma influência do factor-publicidade, as pessoas não são completamente imunes a isso. Mas, no geral, creio que a escolha do livro é pessoal.

 

Desde miúda tive a sorte de o meu pai (leitor voraz, ainda hoje) nos contar partes de calhamaços: A Odisseia por exemplo, a cena do gigante tem sempre sucesso garantido na criançada... alguns episódios da Bíblia, o José e os seus doze irmãos, o menino no rio e na corte do Egipto... depois alguns excertos do Jorge Amado, o seu incrível sentido-de-humor, O Capitão de Longo Curso, o homem que sem perceber nada do mar salva, completamente por acaso, o seu barco de uma tempestade... e ainda houve a fase Latérguy, Os Pretorianos, Os Centuriões, a guerra da Indochina, o homem que conta ao companheiro de armas que a mulher tinha gasto todo o dinheiro da comissão para concertar o telhado do castelo também tinha sucesso... mais tarde  o Camus, esse estranho O Estrangeiro, que tanto me incomodou quando o li depois.

Antes de ler, ouvi muitas histórias, vi as cenas, ri-me com as personagens. Penso que a melhor iniciação de qualquer leitor é ouvir primeiro, ver primeiro. É que assim percebe-se melhor que a relação com um qualquer texto é uma relação viva, mutável, apaixonada por vezes, conflituosa por vezes, e sempre sempre pessoal.


Nas minhas primeiras leituras dirigi-me naturalmente para a acção, as aventuras, as personagens, o suspense, a adrenalina. Mas também lia poesia (aí por influência da minha mãe) porque gostava de a dizer, da música própria da poesia. Assim como alguns actos de peças de teatro,  adorava representar.

Só mais tarde me virei para a descrição e observação, a filosofia e reflexão, a crítica mordaz, dos meus autores preferidos. E actualmente, depois de tanta ficção, confesso, prefiro bons ensaios. E agradeço aos que transformam, como disse ali atrás, um bom calhamaço num filme ou documentário. Em 2ª mão, é melhor.

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 08:39

Do Tempo das Descobertas: Bom demais para vender bem

Sexta-feira, 16.04.10

 

Mais um post do Saída de Emergência, desta vez sobre um autor do género fantástico. Com um título provocador: Bom demais para vender bem.

 

Aí vai:

 

" Bom demais para vender bem

 

Caros fãs do fantástico

A partir de agora, num esforço para aproximar ainda mais a SdE e os fãs, os editores vão tentar escrever uma mensagem em todas as novidade da Colecção Bang! Uma mensagem que justifique a publicação da obra, destaque os seus pontos fortes e chame a atenção para as virtudes do autor. Se algumas mensagens parecerem mais apaixonadas, não se espantem, na SdE somos fãs do fantástico e todos os fãs têm direito a falar com paixão!

Vamos então ao Forças do Mercado. O primeiro livro que li de Richard Morgan (que alguns de vocês tiveram o prazer de conhecer pessoalmente quando o trouxemos para um Fórum Fantástico) foi o Carbono Alterado - indiscutivelmente um dos melhores livros de fc que li em toda a minha vida. A seguir devorei Forças do Mercado e não fiquei desiludido. Morgan escreve bem em todos os sentidos da expressão. A sua escrita é crua e violenta, tal como as suas personagens. Estas são complexas e reais, e o leitor acaba por se preocupar e identificar com elas. A imaginação de Morgan é ímpar, alimentada por bons livros, bons filmes e bons jogos.

Tanto Carbono Alterado como Forças do Mercado têm os direitos vendidos para Hollywood. E lendo estes dois livros é fácil compreender porquê. Brutalmente visual, a escrita de Morgan aliada à sua imaginação é uma força da natureza e um dos motores da actual fc. Se Carbono Alterado nos levava para um futuro mais distante, já o Forças do Mercado nos fala do amanhã. Os temas do livro são os temas que não saem das nossas TVs: a globalização no seu pior, as corporações que cresceram até ficarem mais poderosas do que os próprios Estados, os políticos ao serviço não do povo mas das corporações. Um mundo frio, desumano, egoísta, bestial. Uma espécie de Mad Max meets Wall Street. E o nosso herói, com quem nos queremos identificar, em cujo peito procuramos um cantinho quente para nos abrigarmos, afinal é um filho da mãe como todos os outros. Ou será que não?

Uma colecção de fantástico que se preze tem de ter autores como Richard Morgan. Vendem pouco mas têm de ser publicados. E vendem pouco precisamente porque são muito bons. Bons demais para chegarem às massas. Bons demais para leituras preguiçosas. Bons demais para quem lê enquanto ouve música e deita o olho à televisão. Autores como Morgan são bilhetes para locais distantes. Mesmo vendendo mal, são um orgulho de publicar. Espero ter conseguido deixar alguns fãs com água na boca...

Um abraço e votos de boas leituras, 

Por Luís CR [Editor]  

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 13:25

Do Tempo das Descobertas: Biblioteca Municipal

Segunda-feira, 25.01.10

 

Sempre gostei de bibliotecas, das suas mesas alinhadas, dos seus suportes de madeira em cima e tudo. É assim que eu imagino esta biblioteca que descobri no Esquissos.

 

 

" Biblioteca Municipal

 
(escrito num intervalo de cinco minutos)

Andava a ler literatura russa. As portas da biblioteca municipal escancaravam-se e logo ele sentado na mesa de madeira transversal à estante. Cuidava que não podia deixar de existir sem entranhar as sábias palavras dos sábios russos. Portanto, deixou-se desvanecer dos propósitos sociais da vida, unha e carne com a lombada poeirenta dos livros expostos à espera que os avivassem. De vez em quando um funcionário preocupado com a sua alimentação ou falta dela trazia-lhe uma sandes de queijo. Ele aceitava, não desviando uma nesga a atenção das páginas pálidas de tão amarelas. Às sete e meia o segurança agarrava-lhe um braço e expulsava-o rotineiramente. No dia seguinte o ciclo recomeçava.
Ela apareceu nas últimas semanas da sua proeza, escondida debaixo dos óculos de massa pretos. Acariciava os livros com mãos delicadas, roçava-as nas capas dos romances. Escusado será dizer que da mesma e não raras vezes ingénua maneira, acariciava-lhe os lábios e a face em goladas de ar húmido. Pelo menos era o que, no instinto de macho sustido, o agoniava. Não se precipitou. Ao fechar o último livro tomou-a nos braços como carne impressa editada para ele. Acariciou-lhe os lábios e roçou-lhe a face. Afinal de contas, apenas tinham Dostoiévski, Tolstói e o resto dos sábios como testemunhas.  "

 
" Biblioteca Municipal II

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 13:10

Do Tempo das Descobertas: Leituras de Dezembro de 2009

Terça-feira, 12.01.10

 

Do Saída de Emergência, este post sobre leituras recentes e promessas futuras. Gostei sobretudo de saber um pouco mais sobre o autor da série Flashforward, que já referi aqui, e muito me surpreende que não esteja a ser acarinhada pelos americanos (o que é se passa? Ficar-se pela primeira temporada? Nem pensem nisso!)

 

 

 

" Leituras de Dezembro de 2009

 

O que lêem os editores? Sim, o que lêem os profissionais da edição que, parecendo que não, decidem o que os restantes portugueses vão ler? Só posso falar por mim, mas acredito que todos os editores tenham dois tipos de leitura: a profissional e a pessoal. Na primeira lêem o que consideram publicar, na segunda lêem o que gostam. Pessoalmente tenho sorte pois muita da minha leitura pessoal acaba no catálogo da editora. Mas muita também não acaba – por mil e uma razões diferentes. É dessa leitura que vos pretendo falar, das leituras invisíveis mas que, de certa forma, ajudam a moldar os meus alicerces e os da Saída de Emergência. Não pretendo que estes textos (que espero mensais), sejam vistos como um exercício de vaidade. Tenho consciência de que estas leituras vão interessar a poucos. Mas para os fãs incondicionais da editora, abro a minha biblioteca…
 
   
Something Wicked This Way Comes de Ray Bradbury

 

Foi-me recomendado pela Gi, a mulher do David Soares, com os maiores elogios à prosa e à história. E tudo se confirmou, este livrinho é um verdadeiro tesouro. Ouvi-o em versão áudio e, maravilhosamente lido, nada se perdeu. Considerado uma obra-prima da literatura de horror, é a história de dois rapazes de treze anos, James e William, e do mal que abraça a sua cidadezinha do interior com a chegada de um estranho circo ambulante. O que faríamos se os nossos mais secretos desejos fossem tornados realidade pelo misterioso chefe do circo? Ray Bradbury, numa voz maravilhosa, fala-nos de inocência, coragem, amizade, reencontro. Um verdadeiro hino à melhor literatura fantástica.

 

Land of the Headless de Adam Roberts

No futuro distante a humanidade levou a religião e as desuniões dela resultantes para o espaço. E, num planeta onde a sociedade segue de forma fundamentalista o Antigo Testamento e o Corão, um poeta é acusado de violar uma mulher. Julgado culpado, é sentenciado à pena máxima: a decapitação. Depois de lhe ser removida a cabeça é equipado com uma válvula no pescoço (por onde pode respirar e alimentar-se), um ordenador (que guarda a sua personalidade e memórias), e equipamento sensorial (visão e audição básicas). Exemplarmente castigado, pode seguir a sua vida. Como seria de esperar, e é essa a sua verdadeira punição, carrega um terrível e manifesto estigma. A sua única forma de sobreviver é alistar-se no exército e seguir para a frente de combate enquanto planeia a vingança contra o homem que acredita ser o responsável pela sua perdição. Land of the Headless tem uma prosa sem mácula e está repleto de grandes ideias. É uma escalpelizarão sublime da condição humana, uma sátira sobre fundamentalismo religioso, intolerância, crueldade, estupidez, mas também uma tocante história de amor, sacrifício e idealismo.

 
The Dying Earth de Jack Vance

Adorava publicar este gigante da literatura fantástica. Mas não sou assim tão masoquista - a Colecção Bang! já tem suficientes gigantes a vender pouco, como é o caso de Michael Moorcock, Fritz Leiber ou Mervyn Peake. Recomendo no entanto a leitura desta fantasia científica onde Jack Vance, através de curtas histórias interligadas, nos transporta para um futuro muito distante. Tão distante que a Terra se prepara para ser engolida pelo sol vermelho e gigante. Uma Terra moribunda onde magia e ciência significam a mesma coisa. The Dying Earth está um pouco datado – afinal, já tem 60 anos – mas Jack Vance escreve tão bem que este clássico envelheceu com elegância e graça.

 
Banda Desenhada


Em Dezembro li Astérix - O Regresso dos Gauleses, Lucky Luck - A Corda do Enforcado, Tintim – As Jóias da Castafiore e Spirou e Fantásio – A Máscara Misteriosa. Leituras um pouco clássicas mas maravilhosamente intemporais. Na última feira do livro completei a minha colecção do Astérix e na próxima deverei completar as restantes (pois é, as feiras dos livros são oportunidades para todos). Também li o novíssimo Blake e Mortimer – A Maldição dos Trinta Denários. Não é um original de Edgar P. Jacobs, mas é muitíssimo bom, e estes dois aventureiros continuam a ser as minhas personagens favoritas de BD.

Mas há mais BD para além da europeia, e a americana está a viver o que penso ser uma autêntica era dourada. Argumentistas inteligentes e ilustradores talentosos surgem nas mais variadas chancelas com novidades surpreendentes a todos os níveis. Este mês fiquei a conhecer The Programme onde Peter Milligan nos apresenta um mundo adulto onde a origem dos super-heróis está ligada à Segunda Guerra mundial e à posterior Guerra Fria. O desenho é de C. P. Smith e, se o seu traço primeiro se estranha, depois entranha-se totalmente. Estou desejoso em deitar as mãos ao segundo volume desta série. Também li o 5º volume de Tom Strong, uma das muitas personagem criadas por esse génio artístico chamado Alan Moore (cujo romance, A Voz do Fogo, a Saída de Emergência terá o prazer de republicar no último trimestre de 2010). Tudo o que li até agora de Alan Moore é, no mínimo, muito bom. E para os fãs de pulp fiction, os livros de Tom Strong são uma delícia para os olhos e para o coração.

 Televisão


Devorei os 10 episódios de Flashforward, a série inspirada no livro de Robert J. Sawyer (que vai sair na Colecção Bang! em Março deste ano). O livro é muito interessante, original e inspirador, e a série, apesar de todas as inevitáveis mudanças, também é excelente. Recomendo sem reservas apesar do público americano não estar a corresponder à série e esta estar em risco, segundo consta, de se ficar pela primeira temporada!

Também ando a rever, poooouco a poooouco, toda a série dos X-Files. Vou na quarta temporada, talvez a melhor até agora. Envelheceu muito bem apesar de ser uma série de género (fc, fantasia e horror).

Outra série que deve tudo aos livros é a Sharpe, baseada na obra de Bernard Cornwell. Com Sean Bean no papel de Richard Sharpe, é de visionamento obrigatório para quem se interessa pela obra de Cornwell ou pelas Guerras Napoleónicas (ou apenas por uma série histórica muito bem interpretada e produzida).

Um abraço e votos de boas leituras (e não só) para Janeiro de 2010

Luis CR [editor]   "

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 11:25








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